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Leão da Estrela Leão da Estrela
Requalificação que preserva identidade histórica e atualiza o interior para padrões contemporâneos.
Contexto do lugar
No coração da Estrela, um dos bairros mais consolidados e identitários de Lisboa, este edifício integra uma frente urbana marcada pela arquitetura residencial oitocentista e pela continuidade de uma memória que ainda hoje define o carácter desta zona da cidade.
A composição da fachada, a proporção dos vãos, os elementos em ferro trabalhado e o revestimento em azulejo estabelecem uma relação direta com a tradição construtiva lisboeta do século XIX. Mais do que elementos decorativos, constituem parte da identidade arquitetónica do edifício e da sua presença na rua.
À relevância patrimonial soma-se uma dimensão cultural singular. O imóvel serviu de cenário a filmagens de O Leão da Estrela, um dos títulos emblemáticos do cinema português, protagonizado por António Silva. Uma ligação que associa o edifício ao imaginário da cidade e acrescenta uma nova camada à sua história.
O projeto de reabilitação partiu precisamente dessa identidade, procurando estabelecer um diálogo entre a permanência da arquitetura existente e uma nova forma de habitar. A intervenção respeitou a expressão exterior do edifício, enquanto introduziu uma organização interior inteiramente adaptada aos atuais padrões de conforto, funcionalidade e qualidade residencial.
Sem recorrer a uma reprodução literal do passado, o projeto reinterpretou as características originais através de uma abordagem contemporânea, criteriosa na definição dos espaços, na escolha dos materiais e na resolução dos detalhes.
O Leão da Estrela assume-se, assim, como um projeto onde património e contemporaneidade coexistem de forma natural: um edifício profundamente ligado à história de Lisboa, preparado para uma nova geração de habitantes.
Preservar a presença na cidade
A intervenção sobre a fachada privilegiou a conservação da sua expressão arquitetónica original e dos elementos que lhe conferem identidade.
Azulejos, serralharias e elementos ornamentais foram recuperados e integrados numa abordagem de reabilitação cuidada, assegurando a continuidade da imagem do edifício no conjunto urbano da Estrela.
Preservar não significou imobilizar o edifício no tempo, mas reconhecer o valor da sua arquitetura e permitir que continue a fazer parte da cidade com autenticidade.
Quatro pisos. Quatro residências.
Por detrás da fachada histórica, o interior foi integralmente reorganizado segundo uma lógica residencial mais exclusiva.
O edifício passou a integrar apenas quatro apartamentos, cada um ocupando integralmente o seu piso, uma solução que reduz a densidade habitacional e proporciona maior privacidade, autonomia e conforto.
Esta organização permite ainda uma leitura mais clara e generosa de cada habitação, aproximando a experiência de viver num apartamento da escala e da privacidade de uma residência individual.
Proporção, luz e materialidade
Os interiores exploram as qualidades espaciais próprias do edifício, tirando partido do pé-direito elevado, das proporções amplas e da entrada de luz natural.
A distribuição foi desenhada para favorecer espaços fluidos e equilibrados, enquanto materiais, equipamentos e soluções construtivas foram escolhidos segundo critérios de qualidade, durabilidade e coerência arquitetónica.
O desenho contemporâneo manifesta-se de forma discreta, através da precisão dos detalhes e da qualidade dos acabamentos, criando interiores sofisticados, confortáveis e intemporais, sem competir com a identidade histórica que lhes serve de enquadramento.
Projeto entregue.
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